Orgasmo Clitoriano versus Orgasmo Vaginal

Orgasmo clitoriano x orgasmo vaginal

 

I. Orgasmo feminino: um grande mistério

Nas teorias que elaborou sobre a sexualidade feminina, Freud acreditava ser o clitóris o vestígio de um pénis inferior. Na infância, seria natural o clitóris ser descoberto primeiro como órgão do prazer feminino por ser mais perceptível. Mas, no seu desenvolvimento para a vida adulta, a menina deveria transferir o seu interesse pelo clitóris para a vagina que, por ser um órgão receptor, lhe proporcionaria alcançar a sexualidade madura. Para ele, a atitude feminina normal que a mulher desenvolve para compensar a inveja do pénis é de passividade, submissão e dependência.

Karen Horney, a partir de 1924, desafiou as opiniões de Freud, admitindo a influência da cultura que obrigava as mulheres a adaptarem-se aos desejos dos homens e a encararem essa adaptação como um reflexo da sua verdadeira natureza, e recusando a aceitar a anatomia como destino. Ela considerava ser a capacidade da mulher para a maternidade uma prova da sua superioridade fisiológica – o que era invejado pelos homens – e também como evidência de que a vagina, assim como o clitóris, representa um papel na organização genital infantil das mulheres.

II. Pesquisas sobre a sexualidade chocam público americano

A partir da década de 50, o biólogo Alfred Kinsey estudou os hábitos sexuais da nossa cultura, usando métodos quantitativos, e a teoria da transferência clitoriano-vaginal de Freud começou a ser oficialmente desafiada. Kinsey reuniu sete mil de aproximadamente dezassete mil casos ou observações. Numa palestra na Academia de Medicina de Nova York, em 1955, revelou a uma grande plateia atónita de ilustres médicos a ampla variedade de comportamentos sexuais masculinos e femininos, como a masturbação, o homossexualismo, o coito anal e especialmente as relações extraconjugais, praticados em muito maior número do que a sociedade desejava admitir publicamente.

Como Freud e todos os outros grandes pioneiros, Kinsey cometeu alguns erros. Um deles, que afecta o nosso dilema actual (orgasmo clitoriano versus vaginal), nasceu do seu desejo de ser tão científico quanto possível. Numa pesquisa especial do Instituto Kinsey, tentaram determinar quais as áreas dos órgãos genitais femininos mais sensíveis ao estímulo sexual. Três ginecologistas homens e duas mulheres testaram mais de oitocentas voluntárias, tocando dezasseis pontos, inclusive o clitóris, os grandes e pequenos lábios, a mucosa vaginal e o colo do útero.

Desejando ser impessoais e científicos, os experimentadores não quiseram tocar directamente as pessoas pesquisadas. Foi usado então um dispositivo semelhante a uma ponte em Q. Os pesquisadores de Kinsey perceberam que as áreas sensíveis da vagina respondem à pressão forte, mas não ao toque suave, e assim concluíram que o clitóris é sensível e a vagina não.

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III. O acto sexual é observado em laboratório

Masters e Johnson, encorajados pelo progresso científico do trabalho de Kinsey, decidiram observar, pela primeira vez, o sexo em laboratório. Devido ao erro de Kinsey, eles admitiram que a capacidade da masturbação até atingir o orgasmo pelo estímulo do clitóris era o ponto crucial da resposta sexual feminina normal. “Agora sabemos que eles se esqueceram, ou deixaram passar, as mulheres que funcionam de modo diferente”, disseram eles. Passaram a defender, então, que todos os orgasmos femininos envolvem o clitóris e são fisiologicamente indistinguíveis. Para eles, todos os orgasmos da mulher envolvem o contacto com outras partes da abertura da vagina, provocando uma fricção entre o clitóris e o seu próprio capuz. A mesma fricção que ocorre durante a masturbação pode ocorrer durante o coito.

IV. Orgasmo clitoriano: imaturo ou o único possível?

Para Freud o orgasmo clitoriano era imaturo, para Masters e Johnson, o único orgasmo possível. Em 1977, Alice e Harold Ladas decidiram elaborar e enviar um questionário anónimo para 198 mulheres analistas bioenergéticas, com o objectivo de discutir as diferenças teóricas que envolviam a importância do clitóris. Acreditavam que assim elas estariam mais livres para responder, já que manter interesse pelo clitóris, para elas, era ser imaturo.

A grande conclusão dessa pesquisa foi desafiar a teoria freudiana da transferência clitoriano-vaginal. De acordo com o que responderam, as mulheres não prefeririam abandonar o clitóris em favor da vagina, mas, pelo contrário, adicionar a sensibilidade vaginal ao seu desfrute do estímulo clitoriano!

V. Todas as formas de orgasmo valem a pena

Em 1980, os resultados desse estudo foram apresentados por Alice Ladas no congresso nacional da Sociedade para o Estudo Científico do Sexo, onde demonstrou que os orgasmos não implicam necessariamente o clitóris e também que o orgasmo clitoriano não é imaturo. No mesmo congresso, ela tomou conhecimento pela primeira vez do trabalho de John Perry e Beverly Whipple sobre o ponto G e a ejaculação feminina.

É de admirar que 20 anos depois alguns autores ainda afirmem que todo o orgasmo feminino tem que passar pelo clitóris. Dizem que sempre que a mulher tem orgasmo durante a penetração é porque o clitóris foi estimulado de alguma forma. Mas isso não é verdade, é o tipo de afirmação que prejudica e limita o prazer das mulheres.

A mulher pode ter orgasmo sem haver penetração. Quanto a isso ninguém duvida. Geralmente é assim quando ela se masturba. No aparelho genital externo o orgasmo pode ocorrer em várias partes, principalmente no clitóris e nos pequenos lábios, que são áreas com mais terminações nervosas. Com a penetração do pénis, a mulher pode ter orgasmo de duas formas: contraindo os músculos da vagina e se o ponto G é pressionado e estimulado adequadamente. Isso não impede, entretanto, que, com o movimento do pénis dentro da vagina, o clitóris também seja estimulado. É o que se chama de orgasmo combinado.

VI. As melhores posições para o orgasmo vaginal

A posição do homem e da mulher durante o acto sexual tem relação com o estímulo do ponto G e a cooperação entre os parceiros é fundamental. Gräfenberg, o médico que descreveu esse ponto, afirma que o ângulo que o pénis forma com o corpo tem um significado importante e deve ser tido em conta.

Cada vez mais mulheres conhecem as diferentes formas de prazer sexual. Uma mulher de 25 anos contou a sua experiência: “Com meu ex-namorado acontecia uma coisa que não acontece com os outros parceiros. Quando ficávamos um de frente para o outro, o seu pénis alcançava aquele ponto dentro da minha vagina que me dava um prazer louco. Tinha muitos orgasmos seguidos e às vezes até ejaculava. Acho que era a maneira pela qual o pénis dele ficava erecto, encostado de encontro à sua barriga.”

Mas esse não é a única forma. Para alguns casais, a mulher estando por cima é a melhor posição para estimular a área do ponto G. Neste caso, um pénis de menor tamanho pode até ser mais eficiente do que um maior. Muitas mulheres consideram o orgasmo vaginal qualitativamente superior ao orgasmo clitoriano. Elas declaram que é melhor porque envolve o corpo inteiro, diferente do orgasmo clitoriano, que pode ser mais agudo, talvez mais forte, mas a sensação situa-se apenas na área genital.

Entretanto, isso não significa em absoluto que o orgasmo clitoriano não seja também delicioso. O problema é que há mulheres que se sentem diminuídas, como se fossem menos mulheres, por não conseguir orgasmos vaginais. Isso é um absurdo. Com toda a repressão da sexualidade feminina, seria estranho se o orgasmo da mulher fosse algo simples.

Nenhuma mulher é obrigada a perseguir o orgasmo vaginal, transformando a sua vida sexual numa fonte de ansiedade e sofrimento. Contudo, o sexo é uma aprendizagem. É instintivo e natural apenas para a procriação, mas para o prazer todos temos muito que aprender. Usufruindo, na troca com o outro, do máximo que o sexo nos pode proporcionar, vamo-nos transformando e a vida vai-se tornando cada vez mais apetecível.

Livro consultado: A cama na varanda, Regina Navarro Lins, Editora Rocco, 1997.

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A arte da penetração

aartedaDepois dos preliminares e de muita brincadeira chega a hora mais conhecida como “a hora H”, ou os “finalmentes” e se você pensa que é só entrar e depois ficar ali a ir e a voltar aqui está o “algo mais” que todos devem saber:

 – Aposte nos preliminares pois ajudam bastante na lubrificação.

A vagina ou o ânus devem estar lubrificados. No caso da vagina, pode bastar a lubrificação natural que é estimulada durante os preliminares do sexo. Mas pode ser que vocês precisem de um lubrificante extra.

 

– Use lubrificantes à base de água.

Porque além de outras coisas, não há risco de reagir com o preservativo. No caso do sexo anal a lubrificação é lei porque o ânus é uma zona sensível e tende a lesar-se mais facilmente na penetração.

 

– O ideal é fazer uma penetração firme e suave ao mesmo tempo.

Tente orientar as coisas de forma a começar apenas com a cabeça do pénis. Vá fazendo pequenas penetrações. A penetração deve ser feita a pouco e pouco para que ambos se vão acostumando.

 

– Para que tenha bastante precisão nos movimentos e bastante carga erótica, é fundamental que tenha um bom movimento de pélvis.

Fique atento à sua vontade de ter orgasmo. Controle isso. Você pode desenvolver esta sensibilidade. Só deve ir mais fundo na penetração se sentir que não vai chegar lá. Se o seu sensor diz que está para vir, então pare com os movimentos, ou pare com a penetração nesse momento. Volte para as preliminares, baixando um pouco a carga erótica (tesão). Com um pouco menos de tesão, você pode começar novamente a empreitada.

 

– Respire.

A respiração mais controlada vai dar-lhe a calma necessária para não ser precoce e aproveitar ao máximo.

 

– Esteja atento(a) às reacções da(o) sua (seu) parceira(o).

Saiba como ela (e) o está a sentir. Imagine como é bom estar lá dentro, com o seu pénis bem tratado, agasalhado, deslizando num vai e vem delicioso. E vá sem culpa de ser feliz!

 

– Penetre mais o seu pénis, pouco a pouco.

 Assim ela vai-se habituando a ele e você vai se familiarizando com ela.

 

– Depois de uma entrada mais profunda, faça alguns movimentos com a sua pélvis, para a frente e para trás, preenchendo-a.

Volte agora para o raso, sentindo-se novamente “na portinha”. Movimentos de penetrações rasas. E vá fundo novamente, intercalando penetrações rasas e profundas. Assim você vai tocando com arte toda a extensão da vagina, inclusive os locais mais sensíveis.

 

– E quando você estiver com todo o seu pénis dentro dela, deixe que o seu osso púbico pressione o dela.

A mulher pode nesse momento usar as suas mãos para acariciar os seus testículos.

 

Divirta-se!! 😉

Ejaculação Feminina – Sabia?

Ejaculação feminina

I. O que é a ejaculação feminina


A descoberta da ejaculação feminina é ainda mais revolucionária do que a do ponto G. Essa ejaculação ocorre com mais frequência quando o ponto G é estimulado provocando orgasmos consecutivos na mulher. O líquido que esguicha da uretra é produzido nas glândulas de Skene e a sua quantidade pode variar de 15 a 200 ml. A sensação para o homem é “de uma calda de chocolate quente escorrendo em cima dos seus órgãos genitais”, afirma a sexóloga Marilene Vargas. E, dependendo da quantidade expelida, pode molhar bastante o lençol.


Já em 1926, o médico Theodore H. Van de Velde publicou um manual sobre o casamento, onde mencionava que algumas mulheres expelem um líquido durante o orgasmo. Antropólogos relataram rituais de puberdade na tribo batoro de Uganda, África, onde a ejaculação feminina tem um papel importante num costume chamado kachapati, que significa “aspergir a parede”. Nele, a jovem batoro é preparada para o casamento pelas mulheres mais velhas da aldeia, que lhe ensinam como ejacular.

Em 1950, Gräfenberg descreveu detalhadamente a ejaculação da mulher em relação ao prazer: “Esta expulsão convulsiva de fluidos ocorre sempre no apogeu do orgasmo e simultaneamente com ele. Se se tem a oportunidade de observar o orgasmo dessas mulheres, pode-se ver que grandes quantidades de um líquido límpido e transparente são expelidas em esguichos, não da vulva, mas pela uretra (…). As profusas secreções que saem com o orgasmo não têm um objectivo lubrificador, pois nesse caso seriam produzidas no início do coito e não no auge do orgasmo.”

II. Ejaculação feminina e urina não são a mesma coisa

A partir de 1980, vários pesquisadores, inclusive o próprio Gräfenberg, dedicaram-se a examinar os fluidos expelidos pela mulher durante o orgasmo. A análise química estabeleceu a diferença entre os fluidos ejaculados e a urina.
Embora os primeiros resultados já tenham sido publicados no Journal of Sex Research em fevereiro de 1981, o desconhecimento da ejaculação feminina como consequência de um grande prazer sexual continua a causar vítimas.

Tatiana, uma estudante universitária de 22 anos, vive uma situação difícil desde que terminou com o namorado -o único homem com quem teve relações sexuais. Embora saia com outros rapazes, não admite qualquer possibilidade de contacto sexual.
“— Acho que nunca mais vou fazer sexo. Algum tempo depois de começar a transar com meu ex-namorado, descobri que tenho um problema sério. Na hora do orgasmo, urinei na cama e molhei tudo. Não sei como aconteceu. Fiquei super constrangida. Ele ficou desconcertado também, mas passou. Quando aconteceu novamente, eu não sabia o que dizer. Preferi terminar tudo. Não quero mais passar por isso de jeito nenhum.”

Há muito tempo mulheres são encaminhadas para operação por serem consideradas portadoras de incontinência urinária de stress. Mas desde 1958 que o urologista Bernard Hymel, nos Estados Unidos, se recusa a operá-las por ter conhecimento do ponto G e da ejaculação feminina. Tentou várias vezes expôr aos seus colegas o equívoco das suas avaliações diagnósticas, mas a maioria considerou-o maluco, isolando-o.

III. Comentários de algumas mulheres

A americana Alice Ladas relata o comentário de algumas mulheres que entrevistou para a sua pesquisa sobre ejaculação feminina:

  • Mulher de 21 anos informou que o seu marido se convenceu de que ela urinava de propósito sobre ele todas as vezes que tinham relações sexuais, o que o deixava tão zangado que, finalmente, um dia, “ele premeditadamente mijou em cima de mim, deixou-me e entrou com uma acção de divórcio”.
  • Várias mulheres procuraram auxílio de médicos, tentando encontrar uma explicação, mas na maioria dos casos foi inútil: “Acontece que eu sou uma dessas mulheres que há anos vêm pedindo aos médicos, e até às médicas, uma explicação sobre o que está a acontecer comigo. Alguns disseram-me que se tratava de uma bexiga atónica. Outros, simplesmente, que certas mulheres têm mais lubrificação do que outras.”
  • “Depois de passar vinte anos a consultar uma quantidade de médicos e gastar muitas centenas de dólares – dez médicos disseram-me que eu precisava de me submeter a uma operação para resolver este problema -, agora finalmente sei qual é o meu caso e não vou ficar maluca.”

E a pesquisadora descreve um caso curioso: Uma mulher profundamente incomodada e por discordar do seu médico, cujo diagnóstico era de incontinência urinária, resolveu tomar um medicamento que deixava a urina azul. Ao ter o orgasmo ejaculatório, pôde constatar que o líquido não era azul, e em seguida urinou intencionalmente em cima do lençol e para sua alegria viu o líquido jorrado totalmente azul escuro.

IV. Em busca de um prazer maior

Algumas mulheres descobrem por acaso a ejaculação feminina, e agora que se fala mais sobre o prazer intenso que provoca a ejaculação, várias esforçam-se para viver essa experiência.

A sensação de alívio e descarga que a mulher sente na ejaculação é diferente da que sente no orgasmo. A ejaculação ocorre através da estimulação das partes sexuais que circundam a uretra, como o ponto G e o ponto U. Quando a mulher atinge o orgasmo, a ejaculação sai da uretra empurrada pelos músculos vaginais.

A mulher pode ter vários orgasmos e depois ejacular ou ejacular e ter um orgasmo ao mesmo tempo. Marcia e Lisa Douglas descrevem o vídeo How to Female Ejaculate, onde quatro mulheres se masturbam até ejacular e chegar ao orgasmo. Uma delas explica que ela própria se ensinou a si mesma a ejacular, enquanto as outras viveram essa experiência pela primeira vez inadvertidamente através da estimulação do ponto G.

Todas as mulheres podem ejacular. A questão é que a grande maioria nem sabe que isso é possível, portanto, somente quando a cultura sexual reconhecer a ejaculação feminina, um número maior de mulheres desenvolverá essa capacidade. O mesmo aconteceu com o orgasmo. Enquanto se acreditou que o prazer sexual era restrito aos homens, pouquíssimas mulheres sabiam o que era orgasmo, e pior, nem tentavam descobrir.

A repressão do prazer sexual é tão grande na nossa cultura que somos obrigados a concordar com Reich quando fala na “miséria sexual das pessoas”.

V. Facilitando a estimulação do ponto G

A mulher deve deitar-se de bruços sobre a cama com os quadris apoiados em um ou dois travesseiros. O parceiro, então, penetra-a com um dedo e inicia a estimulação da parede anterior da vagina. Movendo a pélvis para frente e para trás, a mulher não só ajuda na descoberta do ponto G, mas também descobre o tipo de estimulação que lhe dá mais prazer.

É importante frisar que as sensações iniciais são muito semelhantes, porém não têm nada a ver com urinar. Com o tempo ficará claro que essa é apenas uma etapa do processo do orgasmo vaginal.

Provavelmente as posições mais fáceis de se atingir o ponto G são as que envolvem penetração vaginal por trás e aquelas em que a mulher fica por cima.

 

Orgasmo – Verdadeiro ou fingido?

Orgasmo fingido

 

I.  Orgasmo verdadeiro ou falso?

Por ser muito grande o número de mulheres que apresenta dificuldade em ter orgasmo, os homens estão sempre a desconfiar da autenticidade do prazer das suas parceiras. Para se livrar da dúvida, alguns tentam especializar-se em misteriosa investigação e até procuram ler no olhar da parceira a certeza de que conseguiram proporcionar-lhe prazer. Há quem acredite que a prova do orgasmo feminino está nos olhos da mulher: “se ela revirá-los, mostrando o branco ou se ficar com olhos de carpa ou de pescada frita”, afirmam eles. Mas conheci um rapaz que garantia não se confundir de jeito nenhum: “nessa hora as mulheres ficam com os lábios muito gelados”. Será?

É claro que ocorrem mudanças corporais durante o orgasmo. Há aumento dos batimentos cardíacos e da pressão arterial, os músculos contraem-se e aparece maior rubor na face, mas tudo isso pode não ser tão perceptível, principalmente se o homem estiver ansioso com o próprio desempenho. Contudo, a grande preocupação dos homens em saber se o prazer da mulher é verdadeiro ou falso leva-nos a outra questão: porque é que tantas mulheres fingem o orgasmo?

II. Por que é que as mulheres fingem?

É muito raro encontrar alguma mulher que nunca tenha fingido um orgasmo. Cerca de 35% delas fingem sistematicamente. As razões são distintas. Há casos em que, temendo ser considerada fria ou decepcionar o parceiro, ela não encontra outra saída.

Durante milénios a mulher aprendeu a ser submissa ao homem e a esforçar-se para corresponder às expectativas dele. A falta de desejo sexual era um aspecto importante da feminilidade e condição para que ela fosse aceite e admirada. Entretanto, após a pílula anticoncepcional, a nossa história começou a mudar e passámos, nas últimas décadas, por uma transformação radical no que diz respeito à sexualidade feminina. Quando o sexo foi dissociado da procriação, pôde ligar-se exclusivamente ao prazer e a mulher, então, reivindicou e ganhou o direito a esse prazer. O seu orgasmo aprimorou-se: do único e simples, num primeiro momento, ela descobriu o múltiplo e, a partir daí, também o Ponto G e a ejaculação feminina.

O homem, por sua vez, confuso com mudanças tão repentinas, encontrou no orgasmo da parceira um alento para o medo que o atormentava: o de não satisfazer a mulher e por isso ser trocado por outro. Situação que, sem dúvida, afectaria a sua certeza de ser macho. Agora, ao contrário de outras épocas, o orgasmo feminino passou a ser importante para o seu equilíbrio emocional. Muitas mulheres percebendo isso, e exactamente da mesma forma que as suas mães e avós fizeram, submetem-se ao homem. Embora se sintam cada vez mais livres no sexo e na vida, elas fingem o orgasmo porque ainda não se desligaram totalmente da ideia de que, para manter um homem ao seu lado, devem agradar-lhe em tudo e nunca o frustrar.

Entretanto, esse não é o único motivo para a mulher fingir o orgasmo. Existem também mulheres que fingem o orgasmo porque não sentem tesão pelo marido e como não conseguem separar-se deles por causa da forte dependência financeira ou emocional, evitam o sexo, alegando as mais variadas razões: dor de cabeça, cansaço, preocupação, sono. Quando sentem que não dá mais para fugir, têm sexo por obrigação, sem vontade nenhuma, e então fingem o orgasmo para que o acto sexual seja o mais curto possível. E ao vê-las gozar, o marido vê-se liberto para procurar logo o seu prazer e acaba, deixando-as em paz.

III. Alguns casos de orgasmo fingido

1. Priscila é uma advogada de 25 anos. Há três meses conheceu o seu namorado, homem bonito e desejado pelas mulheres, que se orgulha de ter conquistado. Apesar de nunca ter tido orgasmo com ele, jamais pensou em fingir, mas sentiu-se pressionada pela ansiedade do parceiro. Cada vez que tinham relações sexuais, ele, aflito, perguntava logo: “Gozou? Gozou?” Com medo de perdê-lo, um dia respondeu: “Gozei”. Pronto, ele ficou satisfeito, mas o orgasmo fingido passou a fazer parte da relação dos dois.

2. Mary tem 24 anos e está casada há dois. Sente-se decepcionada com a vida sexual no casamento, mas não sabe o que fazer. Para o marido, segundo afirma, o sexo é muito rápido; não lhe faz carícias preliminares, sendo que no máximo acaricia o seu clitóris com uma certa força o que, além de não a excitar, causa desconforto e às vezes até dor antes da penetração. Já tentou conversar e pedir-lhe que faça diferente, mas ele zangou-se alegando que é o homem da relação e portanto detesta ser conduzido. No início Mary não fingia ter orgasmo. Isso irritava o marido que, sentindo-se ultrajado na sua virilidade, contava-lhe sobre outras mulheres que teve e que se sentiam plenamente satisfeitas. “Acabei por me convencer de que o problema é meu. Fiquei com medo que ele se desinteressasse de fazer sexo comigo e procurar as antigas namoradas que tinham orgasmos. Comecei a fingir. Ele não percebe e eu já me conformei com isso.”

3. Sara casou-se com Miguel quando os dois tinham 20 anos e eram bastante inexperientes. Estão juntos há sete anos e durante esse tempo ela nunca teve orgasmo com ele. Entretanto, desde as primeiras vezes, fingiu orgasmos múltiplos, levando-o a acreditar tratar-se de uma mulher extremamente ardente, necessitando mais de sexo do que a maioria. A partir daí, não passou um dia em que Miguel não a procurasse sexualmente. Podia estar cansado, engripado ou mesmo com febre, não admitia deixá-la insatisfeita.

Por outro lado, não tendo desejo algum pelo marido, Sara com frequência fingia estar a dormir ou com uma forte dor de cabeça. Mas não adiantava recusar, Miguel insistia em cumprir o seu papel. Não tendo mais como reverter esse quadro que já se tornara crónico, – a não ser que contasse toda a verdade – Sara passou a fingir cada vez mais rápido. “São sete anos de uma farsa tragicómica. Já fiz até as contas. Devo ter fingido aproximadamente 2.600 orgasmos. A coisa está num nível que, para acabar logo, mal ele encosta o pénis na minha vagina, começo a gozar. Mas agora não dá mais. Vou ter que fazer alguma coisa. Há três semanas relacionei-me com outro homem pela primeira vez desde que casei. Você acredita que no primeiro encontro gozei de verdade, e muito?”

IV. Algumas pessoas dizem por que razão a mulher finge

Elisa Lucinda – poeta e actriz
Acho que não é para enganar o homem que elas fingem o orgasmo, mas para acabar logo com aquele negócio que não está bom.

Márcia Peltier – jornalista e apresentadora de TV
Muitas mulheres têm medo de mostrar que aquela relação não está a satisfazer, e assim perder o parceiro. Elas acham que ele não vai entender e acabam por fingir o orgasmo para satisfazer o homem, e frustrando-se. Isso só piora a relação, a mulher deveria dizer como é melhor para ela. Mas é muito delicado, porque há homens que não aceitam que a mulher lhes diga isso. É complicado falar de sexo com o parceiro que não te está a satisfazer.

Léo Jaime – cantor e compositor
A mulher pode fingir o gozo por curtição, mas em geral isso acontece com quem transa com quem não quer, do jeito que não quer e na hora em que não quer. Se você não consultar os sentimentos, não saberá das sensações. Como dizia Nelson Rodrigues: “É preciso alma até para se chupar um chicabon”.

Bianca Ramoneda – escritora e actriz
Muitas mulheres não têm orgasmo porque a mulher sempre ouviu um ‘não’ para o sexo. Mas não é só uma decisão interna da mulher. Deve ter muito homem que não sabe fazer a sua parte.

Paulo Müller – cirurgião plástico
A mulher finge porque é fácil e para agradar o homem. Elas querem dizer para o homem que o desempenho dele foi óptimo.

Lucélia Santos – actriz
Muitas mulheres fingem orgasmo para não magoar o parceiro ou até mesmo para se preservarem de ter que enfrentar esta situação, que é delicada.

Cláudia Alencar – actriz
A mulher finge para agradar, para manter o parceiro. Mas acho que elas mantêm o parceiro se disserem que não gozaram. Quando a mulher é sincera e verdadeira, o homem adora. Os dois juntos vão tentar que ela tenha orgasmo, seja clitoriano ou no ponto G.

Tônia Carrero – actriz
A mulher finge para satisfazer a vaidade masculina…Normal, né?